Recentemente, a editora L&PM lançou uma nova edição de Orgulho e Preconceito traduzido por Celina Portocarrero. Eu não resisti e comprei a edição, para poder comparar com a edição que tenho aqui, da Abril Cultural e traduzida por Lúcio Cardoso.

Achei a capa super fofa!
Não sou profissional pra poder dizer com certeza quais são as diferenças minuciosas entre as traduções, mas se fosse preferir alguma, poderia afirmar que seria a de Celina. Não desmercendo a tradução de Lúcio, pois como foi a primeira que li, julgo ser uma ótima tradução. Gostei mais da tradução da Celina por ser uma tradução mais recente. Sendo assim, o vocabulário utilizado é mais atual, sem perder o estilo de Jane Austen, ao passo que a tradução de Lúcio utiliza-se de um português mais formal, retrato da época na qual foi feita.
É interessante ver como a linguagem muda. A Edição da Abril Cultural data da década de 1980, enquanto a Edição da L&PM data deste ano de 2010, sendo que cerca de 20 anos separam as traduções. É fácil perceber as diferenças de vocabulário entre ambas as traduções, e fico imaginando que mais diferenças ainda devem existir entre o vocabulário utilizado pela própria Jane Austen quando escreveu, e o vocabulário inglês atual (por mais que o inglês britânico seja famoso por manter mais formalismos). Imagino também que cada tradutor procura em seu trabalho, trazer um significado mais próximo possível do original, por isso há tantas diferenças entre traduções de autores diferentes. Com certeza, as diferenças baseam-se na compreensão do texto por parte do tradutor.
Aqui, gostaria de tocar em um ponto, que tem sido amplamente divulgado na internet, acerca da questão do plágio de traduções. Denise, do não gosto de plágio, e Raquel, do Jane Austen em Português, denunciaram a semelhança da tradução de Fabio Cyrino e Isabel Sequeira do livro Persuasão, de Jane Austen. Agora ambas estão sendo processadas pela Editora Landmark, editora que publicou a tradução de Fábio Cyrino (que pelo que entendi, é também proprietário da referida editora).
Pelos trechos postados pela própria Denise, não acredito que a acusação de plágio seja infundada. Até os mesmos erros de Isabel Sequeira estão presentes na tradução de Fábio Cyrino.
Manifesto aqui a minha total indignação com a atitude da editora. Além do processo, pedem indenização por danos morais (uma quantia bem alta), queriam também que o processo ocorresse em sigilo – sem discussão das mídias, e queriam que o blog de ambas fossem retirados do ar antes mesmo do julgamento da causa. O juiz foi sensato, e além de não ter aceito o pedido de retirada do ar, também não permitiu que o processo fosse julgado em sigilo. Para mim, esses dois pedidos parecem provar não só que a Editora tem culpa no cartório, mas que também pretende continuar com esse tipo de atitude. E não foi só Persuasão o caso – a edição de O Morro dos Ventos Uivantes também foi contestada.
O mais absurdo de tudo, foi a Editora ter dito que as acusações de Denis e Raquel foram infundadas, mas não ter esclarecido as semelhanças das traduções. Para mim, a atitude da Editora só terá uma repercussão: da minha parte, não compro mais livros com o selo Landmark, pois para mim perdeu a credibilidade, e imagino que a esfera que acompanha esses casos também se juntará a causa.
Gostaria de manifestar aqui meu apoio a causa da Denise e da Raquel, e torço por um desfecho justo e verdadeiro. Espero realmente que a justiça seja feita para o lado correto.
Quem quiser saber mais, podem acompanhar o blog da Denise, não gosto de plágio, e o blog da Raquel, Jane Austen em Português.
UPDATE: Na verdade, a tradução de Lúcio Cardoso é de 1940. Obrigada Denise!
