Arquivos da Categoria ‘Jane Austen’

Postado por Monolice, February 28th, 2010

Recentemente, a editora L&PM lançou uma nova edição de Orgulho e Preconceito traduzido por Celina Portocarrero. Eu não resisti e comprei a edição, para poder comparar com a edição que tenho aqui, da Abril Cultural e traduzida por Lúcio Cardoso.

orgulhoepreconceito
Achei a capa super fofa!

Não sou profissional pra poder dizer com certeza quais são as diferenças minuciosas entre as traduções, mas se fosse preferir alguma, poderia afirmar que seria a de Celina. Não desmercendo a tradução de Lúcio, pois como foi a primeira que li, julgo ser uma ótima tradução. Gostei mais da tradução da Celina por ser uma tradução mais recente. Sendo assim, o vocabulário utilizado é mais atual, sem perder o estilo de Jane Austen, ao passo que a tradução de Lúcio utiliza-se de um português mais formal, retrato da época na qual foi feita.

É interessante ver como a linguagem muda. A Edição da Abril Cultural data da década de 1980, enquanto a Edição da L&PM data deste ano de 2010, sendo que cerca de 20 anos separam as traduções. É fácil perceber as diferenças de vocabulário entre ambas as traduções, e fico imaginando que mais diferenças ainda devem existir entre o vocabulário utilizado pela própria Jane Austen quando escreveu, e o vocabulário inglês atual (por mais que o inglês britânico seja famoso por manter mais formalismos). Imagino também que cada tradutor procura em seu trabalho, trazer um significado mais próximo possível do original, por isso há tantas diferenças entre traduções de autores diferentes. Com certeza, as diferenças baseam-se na compreensão do texto por parte do tradutor.

Aqui, gostaria de tocar em um ponto, que tem sido amplamente divulgado na internet, acerca da questão do plágio de traduções. Denise, do não gosto de plágio, e Raquel, do Jane Austen em Português, denunciaram a semelhança da tradução de Fabio Cyrino e Isabel Sequeira do livro Persuasão, de Jane Austen. Agora ambas estão sendo processadas pela Editora Landmark, editora que publicou a tradução de Fábio Cyrino (que pelo que entendi, é também proprietário da referida editora).

Pelos trechos postados pela própria Denise, não acredito que a acusação de plágio seja infundada. Até os mesmos erros de Isabel Sequeira estão presentes na tradução de Fábio Cyrino.

Manifesto aqui a minha total indignação com a atitude da editora. Além do processo, pedem indenização por danos morais (uma quantia bem alta), queriam também que o processo ocorresse em sigilo – sem discussão das mídias, e queriam que o blog de ambas fossem retirados do ar antes mesmo do julgamento da causa. O juiz foi sensato, e além de não ter aceito o pedido de retirada do ar, também não permitiu que o processo fosse julgado em sigilo. Para mim, esses dois pedidos parecem provar não só que a Editora tem culpa no cartório, mas que também pretende continuar com esse tipo de atitude. E não foi só Persuasão o caso – a edição de O Morro dos Ventos Uivantes também foi contestada.

O mais absurdo de tudo, foi a Editora ter dito que as acusações de Denis e Raquel foram infundadas, mas não ter esclarecido as semelhanças das traduções. Para mim, a atitude da Editora só terá uma repercussão: da minha parte, não compro mais livros com o selo Landmark, pois para mim perdeu a credibilidade, e imagino que a esfera que acompanha esses casos também se juntará a causa.

Gostaria de manifestar aqui meu apoio a causa da Denise e da Raquel, e torço por um desfecho justo e verdadeiro. Espero realmente que a justiça seja feita para o lado correto.

Quem quiser saber mais, podem acompanhar o blog da Denise, não gosto de plágio, e o blog da Raquel, Jane Austen em Português.

UPDATE: Na verdade, a tradução de Lúcio Cardoso é de 1940. Obrigada Denise!



Arquivado em Cotidiano, Jane Austen, Livros


Postado por Monolice, October 26th, 2009

Andei super atarefada, por isso andei sumida. A Faculdade está acabando comigo! Ai senhor, porque não fiz letras? Eu adoro meu curso, Ciência da Computação, mas tem dias que me cansa tanto que me pergunto porquê fui escolher um curso assim. Mas enfim, este semestre já está quase no fim, e logo estarei de férias!

Conclui mais um livro de Jane Austen, e posso dizer que gostaria que ela tivesse vivido mais para ter tido chance de deixar mais obras para a posterioridade. Infelizmente, ela morreu cedo, mas o pouco que deixou tem marcado gerações.
Persuasão é um livro único, pois a protagonista da história não é uma jovem de 18 anos, mas sim uma mulher de 28 anos. Anne Elliot é para mim uma caricatura da própria Jane Austen, e este romance fala sobre arrependimentos e segundas chances. Anne fica noiva de Frederick Wentworth aos 20 anos, e sua família e a amiga Lady Russell a persuadem a romper o noivado, sob a alegação de ser um casamento imprudente, pois Frederick é um mero marinheiro, sem dinheiro, posses ou relações. Ela cede a persuasão, e passa os próximos anos remoendo e sendo consumida pelo arrependimento.

Mas a vida prega peças, e Frederick está de volta, agora como Capitão Wentworth, com fortuna e nome. Ele passa a cortejar Louisa Musgrove, amiga e irmã de seu cunhado.
A história muda seu rumo a partir de um acidente com Louisa Musgrove, e o aparecimento de William Elliot, primo de Anne e herdeiro de seu pai.

Agora, vamos a análise dos personagens.
Anne Elliot: sensata e de bom coração, provoca seu próprio sofrimento ao permitir a influência de sua família e de sua amiga Lady Russell em suas escolhas. Apesar de tudo, a maturidade a torna uma mulher forte e decidida.
Frederick Wentworth: apesar dos seus valores e princípios, deixa-se envolver por Louisa Musgrove e quase paga caro por sua imprudência, motivado pela vingança contra Anne.
Walter Elliot, Elizabeth Elliot e William Elliot: Na ordem, pai, irmã e primo de Anne Elliot. A palavra que melhor os define é vaidade. E a vaidade, normalmente é seguida por egoísmo, então por aí já é possível imaginar o tipo de personagens que representam.
Mary (Elliot) Musgrove e Charles Musgrove: irmã e cunhado de Anne, formam um casal peculiar, que acaba se completando.
Louisa e Henrietta Musgrove: as duas irmãs de Charles iniciam a história competindo pela atenção do Capitão Wentworth, mas isso muda após o acidente de Louisa.

E embora tenham outros personagens, para mim os principais são estes. Após terminar este livro, eu assisti aquele filme O Clube de Leitura de Jane Austen, e pude concordar com o tema central do tema, que é a questão da segunda chance e do arrependimento. E o filme, sem sombra de dúvida, desvenda algumas coisas dos livros de Jane Austen que às vezes passam em branco. Eu devo confessar que tenho lido os livros de Jane como sendo romances, sem tirar outras conclusões sobre as histórias. Agora, com certeza, vou tentar ver o outro lado. Será que Jane Austen se arrependeu de não ter se casado e por isso escreveu este livro? Eis aqui um mistério que com certeza ela levou consigo.

Outras notícias

A série produzida pela BBC, Orgulho e Preconceito, de 1995, será lançada em DVD em breve! O preço é salgadinho (R$79,90) mas estou super ansiosa pra comprar! Acabei de ler esta maravilhosa notícia no blog da Adriana, Jane Austen Sociedade do Brasil.

Outro fato que me deixou super contente foi que ganhei a edição nova de Mansfield Park em português, de uma grande amiga minha! A edição está linda gente, e o melhor é ser bilingüe! Mal posso esperar pra começar a ler (novamente), assim que acabar o semestre letivo da faculdade.

E para os amantes da tecnologia, estão abertas as inscrições pra Campus Party 2010! O evento acontecerá entre 25 e 31 de janeiro de 2010, e reunirá as grandes áreas da tecnologia e entretenimento digital. Logo vou postar mais sobre, mas se alguém de Poços de Caldas/MG quiser ir, e quiser ir em caravana, entre em contato comigo no email alice_m_reis@hotmail.com.

Obrigada pelas pessoas que tem comentado aqui! Eu fico super feliz =D Abraços!





Postado por Monolice, October 8th, 2009

Então gente. Depois de um comentário da Adriana, mudei algumas opiniões acerca do livro e dos personagens, e vou aqui traçar um perfil.

Fanny Price: a mulher ideal pra qualquer homem, é paciente, carinhosa, sabe escutar, e é
resignada. Algumas vezes, sentimos raiva da sua inatividade diante das situações que lhe são impostas, mas isso mudar conforme ela mostra sua firmeza em decisões. Eu ficava indignada com a falta de reação dela, e cheguei a dizer aqui que preferia Elizabeth Bennet a ela, mas depois fiquei pensando em quantas vezes eu mesmo já fui Fanny Price na vida, principalmente pra evitar problemas com as pessoas, e então entendi um pouco do próprio caráter dela. Todos gostamos da paz, e Fanny Price zela bastante por ela.

Edmund Bertram: um bom homem, mas muito inocente no quesito mulher. Passa a história a se enganar com Mary Crawford, que na verdade está mais preocupada em arrumar um homem que a sustente do que com seus próprios sentimentos, se é que ela tem algum. Felizmente seu bom senso fala mais alto, aliás por sinal, ele é o único filho de Sir Thomas Bertram que tem algum. Devido a ele ser o segundo
filho, escapou do tratamento mimado que deram a Tom e por isso teve uma melhor formação de caráter.

Maria Bertram (Mrs Rushworth) e Julia Bertram: muito conhecimento, e pouco sentimento. A própria Jane Austen diz isso, pois apesar a boa educação, o conteúdo de cada uma delas é oco. Maria
principalmente, por ter casado com o Mr. Rushworth atrás de posição, e depois ter jogado tudo pro alto por causa de um cafajeste qualquer.

Mary Crawford: ela me lembrou aquelas meninas de colégio, sabem? Que disputam a atenção pra se tornarem a mais popular. Sabe agradar todo mundo, mas é fútil e ambiciosa. Embora até sinta algo por Edmund, não consegue passar por cima de seus próprios preconceitos, e procura fazer um casamento vantajoso tanto socialmente quanto financeiramente. Acaba perdendo Edmund quando abre a boca de verdade, revelando sua mesquinhez e egoísmo. E condena a si própria a ficar pra tia. =D

Henry Crawford: o típico cafajeste, que conquista todas as mulheres por puro prazer. Envolve-se com Maria Bertram (Mrs Rushworth) e causa a desgraça de ambos. Diz-se apaixonado por Fanny, e em alguns momentos eu quase acreditei em sua transformação e torci por ele, mas no fim, sua vaidade
falou mais alto e acaba por continuar seu caminho desandado.

Tom Bertram: mais fede do que cheira. Começa a história como um fanfarrão e acaba doente, vítima de suas próprias atitudes. É o típico filho mais velho, e se vivesse nos nossos dias, com certeza seria aquele filhinho de papai que mexe com drogas e só dá trabalho. Mas no final, se regenera um pouco, e não faz grande diferença na história.

Mrs. Norris: mulher infeliz e chata que atrapalha a história toda. Tia de Fanny, Maria e Julia, e irmã de Lady Bertram, prefere mimar as sobrinhas Bertram, e trata mal Fanny. A melhor parte da história é quando ela finalmente vai embora.

Lady Bertram: a Madame de Mansfield, passa seus dias ociosos a bordar e descansar. Não tem grande possição da história, é muito influenciada por sua irmã Mrs. Norris e o marido, Sir Thomas
Bertram. Não toma parte na criação dos filhos ativamente, é omissa, mas não é má pessoa (eu gosto
dela!).

Sir Thomas Bertram: o chefe da família. Severo demais, não percebe o real caráter das filhas. É, apesar de tudo, um bom chefe de família, justo e preocupado. Gostei das atitudes que teve
no final do livro.

Eu gostei muito do livro, e gostaria muito de comprar a nova edição traduzida pro português, quando puder, para ler novamente. Jane Austen tem um estilo inconfundível para narrar, ao mesmo tempo que nos conta um romance, é irônica e crítica seus próprios personagens. As vezes, ela me recorda Machado de Assis. Falo como apreciadora da leitura, pois não sou crítica para poder realmente avaliar e comparar os dois autores. Acredito que muitas coisas em um livro de Jane Austen ficam implícitas, e somente depois de algumas leituras devemos ser capazes de perceber sua sutileza. Tenho a impressão que através de seus livros, ela criticava bastante a sociedade da época, escondendo esta intenção defendendo os bons costumes. Planejo, quando tiver mais tempo, procurar estudos sobre Jane Austen, para entender um pouco mais de seu mundo.

Agora, vou concluir Persuasão e iniciar Emma. Logo posto mais sobre!

Aos usuários de email da Microsoft, cuidado.
Houve um vazamento de senhas de e-mail na última segunda feira. Eu li que tinham sido atingidas contas que iniciam com as letras a e b, e européias, mas por via das dúvidas, recomendo a todos que troquem as senhas, por segurança. É melhor não confiar!

Comentário sobre a novela Viver a vida: Gente, rico é outra coisa, não? Helena sofreu acidente de lancha, enquanto o resto bate o carro mesmo. Aliás, devo confessar que, embora não seja uma noveleira de plantão, o novo título de Manoel Carlos não me agradou. Não gostei muito da Thaís Araújo como
protagonista, as vezes parece que sua interpretação está meio forçada. Por sinal, a novela do Manoel Carlos que eu mais gostei até hoje foi Laços de Família, mesmo não achando que a Vera Fischer foi a melhor Helena. Já deu pra perceber que Manoel carlos é fã de Machado de Assis, mas eu me lembro, quando estava no ensino médio, do professor falar que Helena não era o livro que Machado de Assis mas se orgulhava. Então estou confusa! Se alguém souber algo a respeito, por favor, me avise, pois estou curiosa!

E fico por aqui, pois este post já está grande demais!





Postado por Monolice, September 30th, 2009

Este livro definitivamente esbarrou um pouco na minha paciência. Eu fiquei desesperada pra acabar logo!

Vamos aos pontos: o livro gira em torno do conturbado relacionamento entre Bridget Jones e Mark Darcy. Além da insegurança, a protagonista passa a maior parte do livro falando de livros de auto-ajuda,e não toma decisão nenhuma por conta própria: precisa sempre de alguém pra lhe dar conselhos. No primeiro livro, achei que Bridget Jones era mais indepentente, mas no segundo ela demonstra muita imaturidade. Arrisca-se a terminar o relacionamento ao não revelar seus próprios sentimentos a Mark Darcy, e literalmente joga ele nos braços da “amiga” Rebecca.

MarK Darcy, por seu lado, mostra que todos os homens tem defeitos (é, não existe o príncipe encantado MESMO!) e mesmo sabendo de toda as armações de Rebecca, opta por acreditar na infidelidade de Bridget. Resumindo, o problema do relacionamento de Bridget e Mark é a falta de comunicação, problema tão comum nos nossos dias. Teve momentos do livro que minha vontade era pular alguns pedaços, pois teve muita enrolação, e aliás, devo confessar que a parte da viagem da Tailândia, embora muito engraçada, passei quase por cima.

Alguns elementos eu gostei mais no filme. Por exemplo, adorei o fato de Mark Darcy pedir ela em casamento no filme, e no livro nada disso acontece. Mas tem uma coisa no livro que adorei! Bridget Jones entrevista Colin Firth! Por sinal, Colin Firth interpretou Mr. Darcy em Orgulho e Preconceito de 1995, e também interpreta o próprio Mark Darcy nas adaptações para o cinema. Aliás, estou louca pra ver essa versão, mas infelizmente ainda não consegui concluir o download. Será que Colin Firth é mais charmoso que o par de Keira Knightley, Matthew Macfadyen?

Apesar de tudo, pra quem aprecia um bom romance moderno, Bridget Jones é leitura certa!

Lendo Mansfield Park: Primeiras impressões

Que me desculpem os fãs, mas a protagonista Fanny Price não me conquistou. Ela me parece uma personagem fraca, que passa o tempo todo como vítima e deixa todos os outros fazerem dela o que quiserem. Eu particularmente prefiro protagonistas mais fortes, como Elizabeth Bennet!
Edmund, por sua vez, é o rapaz bonzinho, cheio das boas intenções, mas que se deixa levar pela primeira que aparece na frente dele. Mas vou até o fim, pois é lógico que quero saber o final. Quem sabe até lá mudo de idéia? De qualquer forma, aguardo por um bom final feliz!